quinta-feira, 30 de junho de 2011

"Eco Verde": Bananas são biodegradáveis, plásticos, não



Gente, esta matéria saiu na coluna do Agostinho Vieira no dia 16 de junho. Para quem não sabe, ele assina uma coluna que sai todas as quintas feiras no caderno de Economia do O Globo. Ele também tem um blog, no site oglobo.com.br/blogs/ecoverde. Vale a pena conferir de vez em quando!

“Deixo para os meus filhos um apartamento de dois quartos, no Méier, um automóvel usado, dois mil reais na poupança e 400 sacolas plásticas”. Como testamento pode parecer estranho, mas para o meio ambiente seria perfeito. Imaginem se TVs, computadores, celulares ou aquela camisa que adoramos, durassem cem anos como as sacolinhas de supermercado?

Vilãs da moda, elas estão proibidas em Belo Horizonte e não poderão ser usadas em São Paulo a partir do ano que vem. No Rio, o comércio é obrigado por lei a oferecer alternativas ou descontos para quem não usa. São 14 bilhões de sacolas por ano no Brasil. A tendência mundial é a proibição, ou até mesmo a cobrança. O problema está nas soluções “verdes” que vêm surgindo: os oxibiodegradáveis (OBP) e os bioplásticos.

Diferentemente do que pregam, eles não são biodegradáveis e podem causar problemas ainda maiores. Os OBPs recebem aditivos que ajudam na sua oxidação. Mas eles não desaparecem, apenas viram uma espécie de farelo plástico, que contamina lençóis freáticos, plantas e é ingerido por animais. Já os bioplásticos ou plásticos verdes, feitos com resíduos da agroindústria, têm a grande vantagem de, durante o processo de fabricação, reduzir as emissões de CO2. Mas, quando descartados entopem lixões e ralos do mesmo jeito.

Mas o grande problema dessas soluções supostamente verdes é que elas preservam o modelo equivocado. O da sacola plástica descartável. A ameaça ambiental não está no plástico, está no desperdício. Estamos consumindo bem mais do que precisamos e jogando fora muito mais do que deveríamos. Cerca de 30% de tudo que entra na cozinha termina no lixo. Mudar os hábitos de consumo é a única saída realmente sustentável. Sair de casa com uma bolsa de compras, como faziam nossas avós, e comprar só o que for realmente necessário."

Nenhum comentário:

Postar um comentário